Foi isso que leste.
Porque não o fiz, perguntas tu.
Faltou coragem.
E se o tivesse feito teria sido o centro das atenções.
Odeio ser o centro das atenções.
E precisava de uma arma, eu até pensei pedir uma emprestada aquele polícia na rua no outro dia.
Mas mesmo se a tivesse conseguido ainda faltava decidir…
Na cabeça?
Ou na boca?
Talvez no coração?
Na cabeça é onde permanecem os demônios, e é deles que me quero livrar, mas não ia dar, porque teria sido uma morte instantânea, e as memórias não iriam passar à frente dos meus olhos.
Na boca teria sido doloroso, bem doloroso, e não teria conseguido dizer as minhas últimas palavras.
O coração é onde estão as emoções, a essência, e eu quero preservá-las, para poder levá-las junto com as memórias da infância e adolescência.
“Ei demónios, parem de me atormentar por favor, apenas por uma única noite, eu só quero descansar.” acreditas que sempre que faço este apelo tudo o que oiço é os mesmos a gargalhar? até fui bem-educado, mas pelos vistos eles não têm nenhuma intenção de parar até a eles me juntar, a única coisa que consigo fazer para abafar as vozes é usar os fones de ouvido e colocar o volume bem no máximo enquanto escuto a minha playlist depressiva, jogar nas consolas e escrever poesia para mostrar aos meus irmãos no ninho também ajuda, lá no ninho eu tenho dois irmãos favoritos, um deles estou afastado e tem um nome bonito e o outro é o amigo leal que todos precisam ter do lado, só espero que nenhum dos outros fique enciumado, mas o dia que eu decidir partir escreverei uma carta de despedida para ambos, pela amizade breve que havia conquistado.
Pensei em todas as formas de me livrar deles e até tentei afogá-los com a bebida, mas não consegui afogar os meus demônios porque eles sabem nadar, e não posso matá-los porque não os vejo e sei que eles vão-se multiplicar, eles me disseram, quanto aos demônios exteriores, se eu os matasse isso apenas me renderia umas boas décadas na cadeia, me amo demais para isso, nem quero imaginar passar a vida em duas prisões, querendo ou não, os demônios que me atormentam no interior só consigo ouvir a voz, e os que estão no exterior têm forma humana e são cidadãos maus que fazem coisas boas, são apenas demônios disfarçados de anjos, tem os anjos caídos e os demónios subidos, parece que para não ter mais que conviver com eles eu terei de deixar de viver, e para lidar com os demônios cujo a voz é a única coisa que conheço, é ir ter com eles ao andar de baixo e virar um caçador de demónios, assim as vítimas aqui terra não serão mais atormentadas.
Meu diabo e o caixão, quem vai pagar?
Não quero que saia do bolso de mais ninguém, senão do meu, pena só ter alguns euros na conta, melhor esperar receber o salário do mês, mas tenho a impressão de que não vai chegar para custear, de qualquer das formas vou esperar para ver, são apenas mais alguns dias de sofrimento até não precisar mais de sofrer, ir dormir sem a preocupação de ter que voltar a acordar seria a única noite de paz antes de finalmente poder descansar em paz, ou posso simplesmente enriquecer para o patrimônio ser suficiente para cobrir todos os custos do funeral, assim ninguém teria de mendigar, mas espera, eu disse mesmo enriquecer? HA! para uns a esperança é a última que morre, e para mim parece que o humor vai ser o último a morrer, não sei se ainda daria tempo para isso acontecer para ser sincero, leis de atração, assunção, nada disso se provou funcionar, ainda querem me culpar e dizer que basta apenas orar? vai-te danar oh Bart fanático, vai roer um osso antes que eu vire o Homer e te esgane o pescoço, eu não pedi para estar no fundo do poço, o que adiantou rezar diariamente para continuar sentado no mesmo lugar?
Funerais…
Caixões…
Enterros…
Sabes que mais?
Nem gosto de cerimônias, prefiro me desviver em um local afastado, e bem isolado, porque quero que o meu corpo nunca seja encontrado.
- luminoso, o vitorioso.