Num canto onde a luz já não arde com pressa, Repousa o que foi um altar de carmim. As pétalas dobram-se em suave promessa De que toda a beleza tem o seu fim.
Não há no seu pranto a dor da derrota, Mas o peso nobre de quem bem amou; Perderam o brilho da cor que denota O viço do tempo em que o mundo parou.
Curvam-se os caules em prece secreta, Guardando no âmago o eco do sol. A terra lhes chama, serena e discreta, Puxando de leve o frágil lençol.
Pois mesmo sem vida, sem cor, sem perfume, A rosa que murcha não perde o valor: Guardou na memória o farto clarão De ter sido, um dia, a chama do amor.