Francisco Claudio Claudio Gia

O TEMPO ENSINA A FLORESCER

O TEMPO ENSINA A FLORESCER

Claudio Gia, Macau, RN, 25/10/2026

Quem pode prever a hora
Em que a terra vai florir?
Quem conhece os pensamentos
Que o amanhã há de descobrir?

No silêncio do deserto,
Onde a vida parece adormecer,
Há sementes esperando
O seu tempo de nascer.

No Atacama, o céu chorou,
E a terra seca respondeu,
Onde o silêncio dominava,
Um jardim apareceu.

Violeta, branca e amarela,
Vermelha como o coração,
Cada flor rompeu o silêncio,
Cada pétala, uma lição.

Quem olhava só a areia
Não podia imaginar
Que debaixo daquela ausência
Havia vida a esperar.

A natureza não tem pressa,
Não consulta o nosso querer,
Guarda o tempo nas raízes,
Sabe a hora de florescer.

E o homem, cheio de certezas,
Quer o futuro decifrar,
Mas a vida muda os planos
Quando menos esperar.

Quando o homem quer adivinhar os tempos,
O tempo ensina o que ele precisa aprender.
Nem toda espera é tempo perdido,
Nem todo silêncio deixou de viver.

Pode a areia esconder uma floresta,
Pode a tristeza aprender a cantar,
Há uma flor esperando a chuva
E um coração esperando acordar.

O tempo não pede licença,
Não se deixa prender pela mão,
Quem aprende a respeitar seus mistérios
Floresce por dentro, em outra estação.

Quantas vezes, nesta vida,
Eu julguei que era o final,
Sem saber que a despedida
Preparava outro sinal?

Quantas portas fechadas
Me ensinaram a esperar?
Quantas lágrimas guardadas
Viraram rios para o mar?

A gente quer respostas prontas,
Quer o futuro controlar,
Mas existem coisas profundas
Que só o tempo pode revelar.

Não se obriga uma semente
A dar frutos antes da estação,
Nem se ensina uma nascente
A correr contra a direção.

Cada vida tem seu ritmo,
Cada sonho, seu porquê,
Há verdades que só chegam
Quando estamos prontos para ver.

Quando o homem quer adivinhar os tempos,
O tempo ensina o que ele precisa aprender.
Nem toda espera é tempo perdido,
Nem todo silêncio deixou de viver.

Pode a areia esconder uma floresta,
Pode a tristeza aprender a cantar,
Há uma flor esperando a chuva
E um coração esperando acordar.

O tempo não pede licença,
Não se deixa prender pela mão,
Quem aprende a respeitar seus mistérios
Floresce por dentro, em outra estação.

O homem mede os dias,
Conta as horas, prevê o amanhã.
Constrói máquinas, calcula distâncias,
Desenha o mundo em mapas.

Mas ainda precisa aprender
Que a vida não é uma equação perfeita.
A chuva não promete quando chega.
A flor não anuncia quando nasce.
E o coração, por mais que planeje,
Também precisa de tempo para compreender.

Talvez a maior sabedoria
Não seja descobrir o que virá,
Mas aprender a viver o presente
Sem querer o tempo dominar.

Lá no norte do Chile,
O deserto voltou a sorrir,
E a paisagem que parecia morta
Mostrou que ainda sabia florir.

Não foi milagre inventado,
Nem vontade de alguém,
Foi a água encontrando a semente,
Foi a vida dizendo: ainda tem!

E eu pensei na humanidade,
Nas guerras, na fome e na dor,
Quantos desertos existem nos homens
Esperando um pouco de amor?

Talvez o mundo também floresça
Se aprendermos a compreender
Que ninguém transforma a própria história
Sem dar ao outro o direito de viver.

Quando o homem quer adivinhar os tempos,
O tempo ensina o que ele precisa aprender.
Nem toda espera é tempo perdido,
Nem todo silêncio deixou de viver.

Quando o homem quer adivinhar os tempos,
O tempo ensina o que ele precisa aprender.
Nem toda espera é tempo perdido,
Nem todo silêncio deixou de viver.

Pode a areia esconder uma floresta,
Pode a tristeza aprender a cantar,
Há uma flor esperando a chuva
E um coração esperando acordar.

O tempo não pede licença,
Não se deixa prender pela mão,
Quem aprende a respeitar seus mistérios
Floresce por dentro, em outra estação.

Não tente apressar a primavera,
Nem condene a semente por esperar.
O deserto também guarda flores,
Que só precisam da chuva chegar.

Quando o homem quiser adivinhar os tempos,
Que se lembre, antes de responder:
O tempo não existe para obedecer ao homem…
É o homem que tem muito a aprender.
Claudio Gia