Brunna Keila

Nunca fui sua rival

tem dias em que o coração acorda em paz

e, de repente, sente tudo outra vez.

é estranho como um segundo

pode abrir uma porta

que a gente levou anos para fechar.

 

quando penso em nós,

não é o desejo que me visita primeiro.

é a falta.

aquela ausência que se senta ao meu lado

e conhece todas as histórias

que eu tento esquecer.

 

porque amar nunca foi só querer um corpo perto.

era querer saber como foi o seu dia,

entender seus silêncios,

ser abrigo quando o mundo pesasse.

era encontrar um lugar em você

onde eu também pudesse descansar.

 

mas me diga, meu bem,

o que acontece quando alguém que era casa

começa a parecer despedida?

e se amanhã você deixar de existir

nos pequenos detalhes da minha vida,

o que faço com tudo aquilo

que ainda sabe o caminho até você?

 

eu nunca menti quando disse que te amava.

talvez tenha errado tentando parecer forte,

talvez tenha escondido a tristeza

atrás de palavras que não eram minhas.

e, sem perceber,

fui dormir tantas vezes com a saudade

que acordei abraçada à própria dor.

 

a nossa rotina também cansou,

eu sei.

até as coisas bonitas perdem o brilho

quando ninguém cuida delas.

mas ainda penso que, se houvesse vontade,

poderíamos aprender de novo:

não a ser quem éramos,

mas duas pessoas melhores

tentando não ferir aquilo que sentem.

 

então, por favor,

não me responda com o silêncio

se ainda existe alguma coisa aí dentro.

não precisa prometer eternidade,

nem jurar que nunca vai embora.

eu só queria conhecer a verdade

que você guarda atrás dos olhos.

 

e escute uma coisa:

eu nunca quis vencer você.

nunca fui sua adversária,

nem quis transformar nosso amor

numa disputa em que alguém precisa perder.

 

eu só queria que, no fim de tudo,

 

você entendesse:

eu não queria ter razão.

eu queria ter nós.