werner

A Literatura Não Me Absolve

As suas cartas de ódio tem feito de mim um romancista incurável.

Meu verso não te desperta, tão pouco amável;

Príncipe nos livros, no afeto um fracasso;

Frases de Proust em um caderno desgasto,

Enquanto desgosto de parecer nu para você —

Não de corpo, mas de minha alma descartável.

 

Nem toda ferida merece um réu;

Você nomeava de zelo o que escrevia Sartre,

E de drama qualquer pedido meu;

Recitei A Queda como confissão,

Você rasgou a página e corrigiu minha entonação;

Quando perguntei porque amar só cabia a mim,

Você disse que Camus via culpa em toda parte.

 

Pouco importa o quanto você chorou, amou ou falou,

Tragar esses erros tem feito minha voz ficar rouca.

Lavando minha alma com gim,

Seu nome amargou na minha boca;

Meu álibi é dizer que foi culpa do álcool,

Mas nem Bukowski escreveria essa desculpa por mim.