Um homem íntegro, reto e fiel, Nas terras de Uz, sob o olhar do céu, Tinha riquezas, honra e bondade, E aos filhos guiava com piedade.
Mas veio a prova, o vento soprou, Em um só dia o mundo mudou. Perdeu os bens, a casa, o calor, E os próprios filhos na dor.
Rasgou as vestes, prostrou-se no chão, Bendizendo a Deus no seu coração: \"Nu saí do ventre, nu hei de voltar, O Senhor o deu, o Senhor o tomou, sem reclamar.\"
A carne ferida, a cinza na pele, Até a esposa pediu que ele o relee: \"Amaldiçoa a Deus e morre!\" — clamou. Mas Jó firme e forte no amor se guardou.
\"Recebemos o bem do Pai celestial, E não aceitaremos também o mal?\" E amigos vieram com falsas razões, Buscando culpas em suas ações.
Jó clamou aos céus, quis saber o porquê, Mas nunca negou sua inteira fé. No redemoinho, a voz do Senhor Respondeu ao servo com imenso vigor:
\"Onde estavas tu quando a terra criei?\" E Jó se calou ante o grande Rei. Reconheceu a glória, a infinita razão, E dobrou os joelhos em adoração.
A prova passou, o pranto findou, O dobro de tudo o Altíssimo enviou. Pois quem na tormenta soube esperar, Viu a graça divina na vida brilhar.