Gino, Sinvaldo de Souza

Poema: Lirismo desconecto

Poema: Lirismo desconecto

 

Fios partidos na parede da memória,

o verso cai antes de achar o chão.

Tento contar uma linha de história,

mas há estática no coração.

 

Palavras flutuam, satélites mudos,

em órbitas frias de tradução.

Quebram-se os nexos, os absolutos,

resta apenas a interrupção.

 

O ritmo dança fora do compasso,

um eco que busca o som original.

Sou o espaço entre o laço e o abraço,

a fresta aberta no digital.

 

E nesse arranjo que desmorona,

onde o sentido insiste em falhar,

o lirismo desconecto ressoa

como um mar que esqueceu de quebrar.