Charles Araújo

VALÁQUIA

VALÁQUIA

 

Conde Vladimir Polanski,

ai, ai… minha jugular suspira

como quem pede abrigo

no dente alheio.

 

“No te quieras bien”

disseste ora, ora, meu nobre

sempre sincero, sempre obediente

Mas já me desfiz em vinho ralo

e promessas de meia-noite.

 

Muito, muito..

muchas gracias, señorita

De riso torto e um idioma morto

rezado por morcegos bêbados

no teto de uma catedral em ruínas.

 

Vladimir, Vladimir,

erés um morcego ou um delírio?

Que Bates asas dentro do crânio,

e fazes ninho na dúvida.

 

No, no… só não posso caminhar por horas,

por que me falta... porque no tienes...

As patitas lá de trás...

y tampoco soy un empalador…

ando muito deveras cansado…

já no levanto estacas

nem contra mim mesmo

 

E Valáquia arde,

no em chamas,

mas en febre baixa

dessas que no mata

só lembra

que o sangue ainda é rubro 

 

Mas diga-me Vladimir:

qué

tienes contra la cucaracha?

 

C.Araujo