ingridanjos

Nossa casa, depois de nós

Escrevo para preencher esse vazio, nem que seja com palavras, percebo que não a carta ou envelope que traduza o peso de um amor interrompido. 
 
Tudo que escrevo tem um pouco do seu jeito, seu sorriso, seu olhar, sua boca – tem você.
 
A casa ainda tem seu cheiro, seus trejeitos, nossos gritos ainda ecoam pelas paredes, como quem precisasse ser liberto. Talvez eu também precise... Me dói perceber que não existe mais um “nós”, que só ficou o eco do que fomos. 

Dizem que o tempo cura, mas ele só obriga a conviver com o que não se pode mudar. 

Talvez um dia minhas cartas não sejam sobre você, é que é difícil saber te ler e não poder te escrever, fico com os cacos que restaram de nós, com toda dor e melancolia que habita em mim. 

Ainda te escrevo porque não sei lidar com o que não pude ter, então deixo as palavras ocuparem o lugar que antes estava você.