À deriva
Ilhado em meu desespero particular
Vasculho em detritos sentimentais
Algo que possa me trazer alento
Ou demonstre além do que vejo,
Que alguma diferença faça.
Sou hoje de silêncio e nada.
Guiado pelas estrelas de outros tempos
Caído em mórbido pensamento
Perdido em esperanças de coisas que nem nasceram ainda.
Coisas que não criaram vida.
Volto meu olhar turvo ao espelho do mar
Não vejo nada que se vale invejar
Alem do que poderia ter tido,
Quem mais poderia ter sido
E que agora estaria em meu lugar?
Ah, não! Não me leve agora.
Não me leve embora, oh
Breve música de ninar.
Desperto salvo por um deus,
Uma arte criada em particular
E me dói a cabeça ao pensar
Que esta para raiar um novo dia.
Quisera estar em outro lugar?
Quereria.
Creria ter sido salvo por um anjo
Transcrito em poesia
Mas tudo que vejo é um vasto oceano
Em movimentos constantes
Com ondas errantes
E um desejo de ser desbravado.
Lá onde se encontram os tesouros
Eu não me acho.