Paulo Silva

À deriva

À deriva 

Ilhado em meu desespero particular 
Vasculho em detritos sentimentais 
Algo que possa me trazer alento 
Ou demonstre além do que vejo, 
Que alguma diferença faça. 

Sou hoje de silêncio e nada. 

Guiado pelas estrelas de outros tempos
Caído em mórbido pensamento 
Perdido em esperanças de coisas que nem nasceram ainda. 

Coisas que não criaram vida.

Volto meu olhar turvo ao espelho do mar 
Não vejo nada que se vale invejar 
Alem do que poderia ter tido, 
Quem mais poderia ter sido 
E que agora estaria em meu lugar? 

Ah, não! Não me leve agora. 
Não me leve embora, oh 
Breve música de ninar. 

Desperto salvo por um deus,
Uma arte criada em particular 
E me dói a cabeça ao pensar 
Que esta para raiar um novo dia. 

Quisera estar em outro lugar? 

Quereria.  

Creria ter sido salvo por um anjo 
Transcrito em poesia 
Mas tudo que vejo é um vasto oceano 
Em movimentos constantes 
Com ondas errantes 
E um desejo de ser desbravado. 

Lá onde se encontram os tesouros 
Eu não me acho.