Caio

Discurso

E se eu pudesse voltar no tempo 

E nas ruas quisesse nadar 

Por quantos dias e noites,

Não pertenceria a esse lugar 

 

Levo o tempo no olhar 

Minha parceira é o sol do amanhecer

Meu sangue é o campo das nuvens 

E meu coração a esfinge da balança

 

Quantos gritos, mais alto que trovões

O rugido do leão se tornou mudo 

As águas ensurdecem de silêncio 

E os guardiões do portão esconderam seus escudos 

 

Poderei olhar mais uma vez para a vida 

Sem esgotar-me de lágrimas e fingimentos?

Viajarei mais uma vez no porto da quietude 

Onde os pobres vivem e os ricos morrem nas figuras.

 

Eu quero um amor inocente 

Que soletre sem saber o alfabeto 

Sem saber nenhuma palavra por inteiro 

Por um discurso de sabor eterno