Poesia Abandonada

Ouro

Nascido do estrépito e do fogo sideral, Em colisões de estrelas, num cataclismo sem igual, O ouro viajou pelo cosmo e a terra habitou, Sua luz ancestral no metal se gravou.

Arrancado da terra em poeira e suor, O cavamos do fundo com busca sem fim, Para então trancafiá-lo num ciclo menor, Em cofres subterrâneos, no escuro sem fim.

Luz divina e eterna que o tempo não toca, Não enferruja na névoa, na chuva ou no mar, Nem a pátina dos séculos sua cor desbotará, Inalterável e puro, nada o modifica.

Pela fiação mais fina conduz o saber, Na ciência e na arte, utilidade sem par, E cobriu de glória a Arca da Aliança a brilhar, Guardando o sagrado em seu puro reluzer.