Ele me trouxe flores violetas,
da cor dos hematomas que deixou em mim.
Ele me trouxe flores vermelhas,
da cor do sangue que derramou.
Ele me trouxe flores
como forma de pedir desculpas,
como se um buquê
pudesse apagar suas atitudes.
Ele me trouxe flores novamente,
e junto delas, promessas.
Promessas de que não aconteceria outra vez,
promessas que o tempo não sustentou.
Ele me trouxe flores…
E eu me pergunto quantas flores
seriam necessárias
para esconder tantas feridas.
Ele me trouxe flores pela última vez.
Mas, dessa vez,
não foi ele quem as trouxe.
Minha família trouxe flores.
Meus amigos também.
Dessa vez, não havia desculpas,
não havia promessas,
não havia pedidos de perdão.
As flores eram para mim.
Mas eu já não podia recebê-las.
E, dessa vez,
não eram as minhas mãos
que seguravam as flores.