Ebelac

Moira

Guardei pra depois o que era agora,

E chamei de prudência o que era medo.

Acumulei horas como quem tesora

Moedas de um país que virou segredo.

 

Que economia estranha a do covarde;

Poupa o momento pra não gastá-lo,

Chega cedo em tudo pra sempre ser tarde,

Guarda a palavra pra nunca dizê-la.

 

Eis o que range e insiste nos dentes:

Tenho calendários, relógios, memórias,

Sei de cor as datas dos momentos urgentes;

E ainda assim, nas horas mais inteiras,

Oferto ao amanhã as horas de hoje

E colho no depois apenas poeiras.