Nox Calvarie

Duas caras

São tantos momentos para contar, tantas frases para recortar 
Ah, pequeno garoto, por que está com tanto medo? Com tanto medo, com o teu medo 
Se debruçou para o mundo e só recebeu pesos, tantos pesos 
Esse sonho era para ser alguém, você já conseguiu se tornar alguém? Ou ainda é ninguém?

Se eu te disser que nem tudo o que vê pode ser a verdade, ou a tua realidade 
Você pode ter meus ossos, o meu sangue, meus nervos, mesmo desmontado por inteiro, ainda serei um humano
Com alma atribulada, correndo entre os postes, se esgueirando entre as frestas 
Nessa cidade maluca, nessa festa que nunca acaba, tenho rejeitado toda a bebida e álcool também 

A última vez que estive completo, foi quando era recém-nascido 
A primeira lágrima, o primeiro abraço, o primeiro tato e o primeiro carinho 
Com a lembrança explodindo, sua mente esquece, com suas gavetas nervosas e ansiosas 
O ser humano realmente é algo social, com sua dissociação, não importa, ninguém realmente vai lhe entender por completo 

Procura a nostalgia, procura aquele seu primeiro amor esquecido 
Seu quadro está trêmulo, sua foto parece diferente, mudou o corte de cabelo ou sua personalidade?
E o desejo de correr nos campos floridos, apenas eu, apenas ela
É verdade, é a minha lealdade, é o meu delírio, é a minha verdadeira face 

Só que estou cansado de deixar minha opinião guardada, estou cansado de evitar a confusão 
De mãos dadas, eu estive com medo de perder o teu amor, eu choraria tanto nas sombras das ruas 
Só que eu quero dizer a verdade, parar de me sentir retido, me deixe vazar um pouco 
Suas lágrimas pesadas, seu rosto, seu sorriso, me disseram tudo, que ela realmente nunca ficaria comigo, por ser justamente o que sou, ela me disse que sou duas caras...