Miséria
Ema Machado
Quando pequena encarei a miséria
Era feia, esquelética e maldosa
Governou, não havia férias
Vestida de trapos, era orgulhosa
Era também faminta e mal cheirosa…
Nunca entendi porque o destino a colocou ali
Éramos pessoas de bom coração
Dividindo com o outro, o que conseguia-mos
Ainda que, pouco fosse o pão…
A miséria, sempre me olhava raivosa
Não tinha medo dela, sonhava com um futuro diferente
Onde pobre pudesse ser visto como gente…
Trabalhar sem estudo, ser escravo, era destinado a gente…
O tempo passou, a miséria envergonhada se foi, ronda, não morreu
Às vezes me espia, eu sinto
Mas, aprendi a lutar, estudei e hoje ensino
Não sou rica, mas sou digna.
Não quero ter que olhar pra trás, onde a miséria é voraz…