Talvez um dia eu me torne tão bonita quanto as meninas que você olha na boate, quando estou perto ou longe.
Talvez um dia eu me torne tão interessante quanto os poemas de outros poetas para você.
Talvez um dia você não me magoe falando do passado, da mesma maneira que teme magoar aqueles que o destruíram.
Talvez um dia eu mereça sua desculpa, como aquela que manchou de sangue a inocência de uma jovem.
Talvez um dia eu compreenda — ou viva tentando entender — o que me falta melhorar? O que me falta mudar?
Me jogam de lá para cá; a garganta, com medo de falhar, e eu me pego sem respirar.
Sozinha, com as lágrimas que, de noite, caem como um raio, tomam minha alma e fazem chacota da minha dor.
Enquanto, ao meu lado, o que me resta é um vazio, mais uma noite de silêncio e contágio.
Temo… Senhor, temo acontecer a noite em que me enforcarei e nada mais sentirei.
Será que, nesse dia, irão chorar? Ou só gargalhar?
Será que as frases irão faltar? Ou terão muito a falar?
Por tantas vezes me pegaram, me bateram, me jogaram no frio, nua, como se esperassem que, sozinha, eu congelasse.
Nua, no meio do Alasca, um pequeno som de piano soava em meus ouvidos, lágrimas.
Você me abandonou aqui, achando que eu realmente não ia morrer.
Mas eu morri.
As 2 da manhã
No nosso quarto.
Alasca.