Eu usei branco durante o meu nascimento, e usarei branco durante a minha vida.
A vida é assim, são leis rígidas.
Uma vida começa e outra acaba.
Poderia ser tão forte quanto um pau-brasil, mas ainda sangro por dentro.
A terra se abrirá, serei engolido, haverá apenas escuridão.
Veludo branco, túnica lúgubre.
Eu deveria aproveitar a vida o máximo como ela pode ser linda, estonteante, verde, azul e viva.
Sempre foi assim comigo,
questões desde a infância sem serem compreendidas,
como uma equação de Bhaskara.
Eles me disseram para viver os melhores momentos,
o canto dos pássaros,
o rugir de uma fera,
as borboletas azuis como o céu.
Eu realmente pensei que haveria dias melhores.
Veludo branco, túnica lúgubre,
este será um dos melhores momentos da minha vida.
Minha alma entrará em paz,
o chão se abrirá,
meu corpo será consumido para sempre.
Túnica lúgubre, veludo branco, será o melhor a ter.
Sigo o rio como se fosse uma predestinação da vida à morte.
A morte pode ser dolorosa para alguns, mas libertadora para outros.
Com toda aquela túnica, com todo aquele veludo branco,
lúgubre por uma eternidade,
a vida se torna uma sentença.
Pássaros nos céus, rugidos selvagens anunciam o fim de uma vida.
A terra se abrirá, serei engolido, haverá apenas escuridão.
Uma vida termina, e outra começa.