Nelson de Medeiros

LOUCURA

LOUCURA

Sou poeta, e como tal, sou louco...
Reconheço, sou louco pela chuva pouco a pouco
batendo na vidraça tristemente...
Sou louco pelo sol no entardecer,
quando nostálgico anuncia o anoitecer,
e fecha o dia seguindo displicente...

Sou louco sim, pela brisa que sussurra nostalgias,
enchendo a alma num concêrto em fantasias,
qual sinfonia de uma orquestra angelical...
Sou louco sim, por isso sou poeta...
Sou como os magos que Deus poder empresta,
pra suportar tanta amargura infernal...

Sou louco pela vida de outro mundo,
pelas montanhas, pelo azul do mar profundo...
é certo que sou louco, pois que vivo em solidão,
a buscar tranquilos rios que desabam nas cascatas,
caminhando pelos montes, no silencio destas matas,
vendo o céu e a imensidão...

Sou poeta. Sou poeta de outrora,
das serestas, da aurora,
das ilusões, das quimeras...
Sou louco sim, pois que tenho a paciência
de sonhar com a inocência,
renascida em primaveras...

Sou poeta, e como tal sou louco...
Sou louco, pois que morro pouco a pouco,
sem conseguir no meu peito te aninhar...
Sou louco sim, é como dizes, minha amada,
sem saber que nesta minha jornada,
a loucura ... foi te amar!

Nelson de Medeiros Teixeira