Fábio Marinho

Soneto de escombros

Mas quando se extinguiram meus encantos

Dessa graça que já não sinto mais?

Podem coisas assim serem fatais

Se morta estou e não estranho prantos?

 

Os espinhos do peito, e já são tantos,

Resistem n\'alma e brincam de sinais;

Nutrem-se do meu sangue e o sonho esvai

Por átomos e células, minguando...

 

Convivo com os monstros do passado

Que do presente buscam-me pra trás

Levando-me onde não existe a paz!

 

É quando o tal destino acorrentado

No encosto que, sentado nos meus ombros,

Rouba-me o rosto e veste-me de escombros...