Metamorfose

Um labirinto bonito

Penso na tua chegada
como quem pensa em coisa boa,
como quem espera a primavera
sem saber de que cor virão as flores.

Meus olhos ainda duvidam
que sejas real,
como se tua existência fosse miragem,
um desses encantos
que a gente teme tocar
com medo de vê-los desaparecer.

Tua doçura, tua leveza,
tua beleza etérea…
há qualquer coisa em ti
que me faz esquecer
onde termina o real
e começa o impossível.

És como um labirinto sem saída,
mas um labirinto bonito,
daqueles em que não se deseja encontrar a porta,
porque a beleza não está em escapar,
mas em permanecer.

E cada caminho, cada curva,
parece guardar um mundo desconhecido,
uma beleza ainda escondida,
um detalhe que meus olhos não viram,
uma parte tua que o tempo
ainda não me revelou.

Quero me perder em ti,
não por não saber o caminho,
mas porque há lugares
em que a gente não deseja chegar:
deseja apenas continuar caminhando.

E, se há um destino que procuro,
talvez não seja um lugar,
nem uma resposta,
nem sequer uma certeza.