Poesia Abandonada

O coveiro

Entre o silêncio da terra fofa e a suave sombra do cipreste, anda o homem de passos lentos, vestindo o luto que o dia veste.

Com a pá que cava o destino, ele abre o leito do descanso final, transformando a dor de quem fica em um rito sereno e solene, igual.

Não cultiva a dor nem a perda, mas sim o respeito pela memória; seus braços fortes guardam a terra onde adormece cada história.

Pede a Deus que lhe dê conforto, e que haja luz em cada adeus, pois na humildade da sua lida, ele é o guardião dos passos teus.