Quando me olhas, esqueço os versos
que ensaiei para te dizer.
Tua boca quase sorri,
e eu já não sei o que fazer
com a distância entre nós.
Se me trouxeres para perto,
deixa que eu demore no abraço,
até que tua voz junto ao ouvido
me ensine a escrever baixinho
o que em mim já transborda.
Deixa que tua pele seja meu papel,
minha boca, um pincel,
para que eu te escreva poesias no corpo.
Sei que tua pele tem algo a me dizer,
algo que tua boca retém,
mas teus olhos transbordam.
Ah, teus olhos,
dos quais todos são devotos…
Sei que não são divinos os teus olhos,
mas o que tua alma faz com eles.
Tomaz Villar