Fábio Marinho

Soneto melancólico

Quanto mais sinto, efêmeros, meus anos,

E os meses engolidos por segundo;

Quando vejo plantados brancos ramos

E o espelho é verídico e profundo;

 

Quando vejo a ilusão de mãos com planos

Onde eu pensava: \"vou ganhar o mundo\",

E, hoje, somo as angústias e os seus danos,

Na falência dos sonhos moribundos...

 

Sobre essa vida, então, eu me questiono,

Se existe um Deus no fundo do abandono

E se chora ou sorri, com a alma branca...

 

E se eu errei, por ser, claro, imperfeito,

Como fica o que eu trago no meu peito

Se Deus não me responde, nem me alcança?