Quanto mais sinto, efêmeros, meus anos,
E os meses engolidos por segundo;
Quando vejo plantados brancos ramos
E o espelho é verídico e profundo;
Quando vejo a ilusão de mãos com planos
Onde eu pensava: \"vou ganhar o mundo\",
E, hoje, somo as angústias e os seus danos,
Na falência dos sonhos moribundos...
Sobre essa vida, então, eu me questiono,
Se existe um Deus no fundo do abandono
E se chora ou sorri, com a alma branca...
E se eu errei, por ser, claro, imperfeito,
Como fica o que eu trago no meu peito
Se Deus não me responde, nem me alcança?