Bruno Boaventura
Sua nudez
- No instante que se despiu,
- No instante em que se mostrou,
- No mesmo instante que revelou sua forma nua,
- A realidade a sua volta se curvou pela sua beleza.
- Sua superfície descoberta,
- Refletia diante ao clarão numa tarde de primavera,
- Uma imagem sensual e subjetiva a sua beleza,
- Uma beleza sutil e elegante,
- Uma elegância graciosa pela compostura firme.
- Havia uma veracidade inquestionável,
- A simplicidade da sua beleza,
- Sua beleza não era comum,
- Instigante como o momento anterior a um beijo,
- Excitante como o instante posterior a um toque.
- No entanto sua nudez não era física,
- Sua nudez era de mente e alma,
- Me foi revelado num dia ao qual guardo em minha memória,
- Naquele mesmo instante que abriu seu coração,
- Me revelou seus devaneios,
- Me confiou seus sonhos e pesadelos,
- Me suplicou seus lamentos,
- E sorriu pelas suas felicidades.
- Sua nudez deixaria quem visse admirado,
- Não por ser pura e inocente,
- Mas por possuir marcas de superação,
- Dores que estavam se curando,
- Havia cicatrizes e falhas em sua superfície,
- E mais adiante em seu interior
- Havia mais marcas a serem curadas.
- Era uma alma fatigada pela vida,
- Amadurecida pelas vivencias a sua volta,
- Com traumas ainda no seu interior,
- Era inata para a superação e cura.
- Foi quando conheci essa vastidão de informações,
- Pois mesmo com as adversidades enfrentadas,
- Havia alegria em seu olhar,
- Um sorriso em seus lábios,
- E bondade em suas palavras.