Um sussurro ecoa na pedra do Senado, Onde a glória de Roma se tinge de rubro, O grande imperador, por punhais cercado, Sente o golpe frio no peito insubmisso.
Mas não é a dor das lâminas afiadas, Nem o sangue que jorra no mármore frio, É a sombra de mãos outrora amadas, Que transformam o império em um imenso vazio.
Entre os rostos de ódio e a cega traição, Um olhar conhecido faz o tempo parar, Aquele a quem deu fé e o próprio coração, Levanta o aço pronto para matar.
\"Até tu, Brutus?\" — o lamento ecoa no ar, Mais pesado que a morte, mais fundo que a dor, Se até quem se ama vem para golpear, Não resta mais vida, nem glória, nem valor.
César puxa a toga, esconde o dissabor, Aceita o destino, cede à escuridão. Pois o golpe mais duro não vem do agressor, Vem da mão do amigo que mata.