Gosto de amizades,
de escrever poemas,
de ser lido, quero ser admirado.
Por isso adiciono todos,
coleciono nomes, rostos, perfis,
não pelo conteúdo,
mas para que me consumam.
Entro nos teus versos,
não os leio, não há tempo,
mas deixo meu sinal:
um favorito automático,
um comentário vazio,
como quem distribui panfletos na esquina.
Hoje favoritei um bairro inteiro de poetas,
esperando que venham até mim,
como fregueses famintos
na feira da vaidade.
Às vezes faço mesclados, temas cultos:
\"Vamos escrever juntos, somos amigos,
quero um fã-clube interativo,
quero atenção.\"
Recebo muito:
colheita farta do que plantei.
E então ecoa
a sentença análoga de Salomão:
entre o homem e a poesia,
tudo é vaidade,
até mesmo este poema.
por Damião Rodrigues