Karoline

Servos

O criado guardava as janelas  

com as duas mãos fechadas,  

e a luz, ao tocar seus cantos,  

saía pálida e desfigurada.  

 

O mudo não via, nem chorava,  

não ouvia a chuva cair  

sobre as calhas das casas  

que caminhavam para o silêncio.  

 

Havia algo imóvel  

no fundo de um criado-mudo,  

junto às formas sem sentido  

e a uma fotografia quieta.

 

Servos, tantos servos

Criados para esconder

Criados para guardar

São tantos criados.