Pus meu terno de Domingo,
Meu calçado de verniz,
A camisa de brocado
E a essência de raiz.
E fui á minha procura...
Já, encontrei um homem
Que só dizia: calado!
Olhe, entenda e apreenda
Mesmo não lhe leve a nada!
Outro, cordialmente,
Bem falante e insinuante,
Explicou-me seus motivos,
A causa de seus abismos,
Expôs-me sua agonia,
Cantou-me sua alegria
E após bem satisfeito
- Assim foi-se no seu jeito.
Um mais, logo, acercou-se.
Calado, não me olhou;
Zangado, não me ensinou...
Após tempo bem pensado
Sorriu e se evaporou
Como houvera terminado
O que nunca começara
E tivera já roubado
O que nunca pertencera...
Minha última lição,
Vinda de onde não previra,
Aguçou-me o coração,
Excitou-me a fantasia:
- Pois buscar era a razão,
E a razão...Poesia!