Vilma Oliveira

AMAR NÃO É...

Amar não é fazer tudo que o outro quer,
nem anular a própria voz e o próprio ser.
Não é moldar-se ao bel-prazer de quem se ama,
nem apagar a própria chama para o outro aquecer.

Amar é caminhar lado a lado, em par,
é descobrir o equilíbrio entre o ceder e o ficar.
É o respeito que aceita a diferença e o limite,
onde o afeto convida, mas nunca exige ou insiste.

É ser abrigo seguro sem se transformar em prisão,
é dar espaço para o voo e cultivar a conexão.
Dois mundos inteiros que decidem se encontrar,
pois quem se perde de si mesmo não tem nada para dar.

Amar não é fazer tudo que o outro quer,
mas encontrar a ponte após a tempestade.
É ver o laço que o orgulho quase desfez,
e escolher, de novo, a nossa verdade.

Não é fingir que as feridas nunca existiram,
nem aceitar o que machuca e faz chorar.
É ter a coragem de abrir as portas do peito,
para o perdão entrar e a dor desarmar.

É segurar as mãos com um novo entendimento,
sabendo que errar também faz parte do caminhar.
Pois recomeçar não é voltar ao que fomos antes,
é construir um jeito mais maduro de amar.

Amar não é fazer tudo que o outro quer,
mas desenhar a linha onde o respeito começa.
É reescrever nossa história com clareza,
sem que a urgência de voltar nos traga pressa.

Dizer um \"não\" que protege o que somos por dentro,
não para afastar, mas para nos guiar no escuro.
Pois o afeto que sufoca e aceita o silêncio
nunca será base para um recomeço seguro.

Calar o que dói só adia o próximo temporal,
limites são cercas que guardam o nosso jardim.
Só posso amar o teu espaço por inteiro...
se você também respeitar o espaço que há em mim.

Desta vez, caminhamos com os olhos abertos,
sabendo que o afeto exige cuidado e critério.
Aprender a ceder sem se perder no caminho
é o verdadeiro recomeço, o nosso mistério.

Amar não é fazer tudo que o outro quer,
Eis a lição que o tempo nos ensina:
Quem tudo aceita, a própria alma inclina,
E perde a força que o mantinha em pé.

O amor renasce quando a voz destina
O seu limite ao peito que o quer bem;
Nenhum afeto cresce no desdém,
Nem sobrevive onde a razão declina.

Traçamos linhas de um respeito puro,
Cercas de paz no chão do nosso afeto,
Para erguer um recomeço seguro.

Dois mundos livres sob o mesmo teto,
Onde o abraço acolhe o que é maduro,
E o \"não\" protege o nosso amor completo.