joaquim cesario de mello

QUANDO EU MORRER

 

Quando eu morrer

vou conhecer a morte por dentro

e apalpar as paredes impermeáveis do infinito

 

Quando eu morrer

vou acordar amanhã

com saudade de mim

e gosto de ressaca de vida na boca

 

Quando eu morrer

meu celular ficará mudo

e não se ouvirá mais meu “bom-dia”

a despertar ouvidos desatentos de gente

 

Quando eu morrer

não mexam no desarrumado das minhas gavetas

não busquem entender as anotações que deixem metade

nem encontrem os poemas que ainda não comecei

 

Quando eu morrer

deixem que o tempo

me cubra por inteiro

com a poeira mansa do esquecimento