Aconteceu no dia 14/10/2026 15:00
Estava desolado pelo meu passado, pelo que tenho passado, e por aquele desentendimento ocasionado por alguém que havia considerado, ela era a amiga que precisava, e queria ter ao lado, foi algo que me deixou abalado, quando me olhei ao espelho reparei que até tinha lacrimejado, mas ignorei e fui me preparar para mais um dia de trabalho, olhei pela janela, e vi que para os outros era um dia ensolarado mas para mim continuava a ser um dia molhado.
Caminhei até à estação para apanhar o comboio, e ir até o terminal dos autocarros, quando cheguei fiquei à espera do mesmo, que estava atrasado como sempre, e quando finalmente ele chegou, entrei para me sentar, e poucos segundos depois, ao meu lado senta-se uma mulher que poderia facilmente ocupar dois lugares, estava um pouco apertado, mas nem me tinha importado, depois de uns instantes ela chama uma mulher de pé para se sentar no seu lugar, que ato gentil eu fiquei a pensar, mas ainda poderia melhorar.
Então me levantei, e cedi o meu lugar, para a mulher gestante não ter de ficar em pé a balançar, me encostei, e fiquei a esperar a minha paragem chegar, até que reparei em um senhor de pé a se segurar, uma jovem como eu se ofereceu para se levantar para que ele se pudesse sentar, e no mesmo momento um outro jovem passageiro sentado no lugar do lado que assistia a um anime, que não cheguei a reconhecer mas até pensei em perguntar, ofereceu o seu lugar para a jovem se sentar, pois faltavam poucas paragens e ele estava prestes a descer.
O homem quando se sentou pegou na mão da moça que estava sentada no par de assentos do lado, e começou a beijá-la como uma forma de mostrar gratidão pela boa ação, ela achou graça e até riu, depois de alguns minutos notei que o mesmo homem começou a chorar, ele estava emocionado, parece que fui o único a notar, eu não sabia dizer se era pelo ato de gentileza ou por algo difícil estar a vivenciar.
E quando chegou o momento da jovem moça sair, o homem mais uma vez a agradeceu com as lágrimas nos olhos e beijou a sua mão, eu fiquei a observar aquela cena e a me perguntar o que ele deveria estar a passar, para tão profundamente um ato nobre lhe tocar ao ponto das lágrimas provocar, depois do que presenciei o dia que era noite para mim começou a alvorecer, mas ainda faltava algo que precisava fazer para o sol aparecer, e foi quando chegou o momento de eu descer, coloquei a mão no ombro do senhor antes de partir e falei “Não sei o que o senhor está a passar, mas sei que tudo vai passar.” é o mesmo que à minha ex amiga poeta tinha falado, aquela mesma frase que ela tinha até agradecido antes de se ter desculpado.
Ele continuou a chorar, e momentos antes do autocarro parar, segurou a minha mão como um recém nascido segura o dedo da progenitora, e até a beijou, fiquei um pouco constrangido, pensei que beijos na mão era coisa para fêmeas e dos tempos em que se usava coroa, mas apenas ignorei, perguntei o nome dele e ele respondeu, desejei boa sorte e dei adeus, quando desci do autocarro olhei para o céu e vi que não estava mais nublado, o céu tinha-se desanuviado, estava ensolarado, sentia-me mais leve e animado, foi ótimo porque não pude fazer por mim, mas consegui fazer pelo próximo.
“Notei que os passageiros se seguravam na barra de apoio quando precisavam de apoio, e aquele senhor quando precisou de apoio, segurou a minha mão.”