Fábio Marinho

O velho

O velho conta e o olho brilha

São tantas milhas...

E vem a história, o tempo bom,

Amigos, filhas.

A lágrima a descer sem som,

A voz pausada, embalo em mesmo tom...

 

A cantilena de uma vida

Em luta, em lida,

Traçada em decisões, em rugas,

Amor, feridas...

Se foi o ímpeto das fugas

E o gosto da saudade é o de uma fruta.

 

As costas curvas e cansadas,

Tão carregadas,

Conduzem poucas ilusões

Mas muitas marcas

E mundos de recordações

Da integridade em todas as ações.

 

Mas no seu tempo, alcança a hora,

Sem demoras...

O velho parte, mas em paz,

À luz da aurora.

Mas vai lembrando do rapaz:

Que bom seria, pois, voltar atrás...