Carlos Lucena

SOPRO

SOPRO

Eu hoje não acordei pensando
Acordei sentido
Sentido que o sangue corre
Sentindo que a flor morre
Eu hoje acordei sentindo que o sentido permite sem
Ser permitido.
Eu hoje acordei sentindo que tudo é um sopro
Que eu não sou quem eu penso
Que eu não sou o que quero.
Acordei sentindo que sou o ar  que infla
Mas a chama que apaga. 
Eu hoje acordei sentindo as pernas amarradas
Boca fibrosa 
Mais indecisas
Eu hoje acordei
Pensando na Rosa
Mas com as mãos indecisas.