Dois blocos de carne surda
partem o chão
no cabo de guerra
que racha a própria casa.
Puxam.
A viga geme.
O teto desaba.
Nenhum larga a corda.
Sob os pés,
a terra perde o sangue.
O fogo toma o berço,
a cozinha, o altar.
Os olhos, porém,
perseguem o monstro alheio:
cada qual devora no espelho
e chama de justiça
o próprio veneno.
Pelos fundos,
a raposa cruza a ruína.
Leva o trigo, a água,
o que ainda podia nascer.
Ninguém vê.
Quando a corda arrebenta,
já não há casa,
nem vencedor.
Só o osso do país
exposto à ventania
e duas bocas cheias
da mesma terra.
Engolem.
Engasgam.
O Real
atravessado na garganta
de quem o rasgou.