Minha alma cinza, estilhaçada por pedras de lembranças, acha-se nos estilhaços.
A cantoria, a melodia, o desejo e a poesia, sempre me serviram de pilar.
Ás vezes sinto-me uma fera presa em uma caixa de fósforos, e que servirá de chama para aquecer a criança de mãos geladas que descansa em meu âmago.
Sinto ainda hoje o gosto amargo da dor, do rancor.
A melancolia que me serve de escudeiro ou me retém como prisioneiro desde a pequenez,
já não está sendo vista como o karma de outra vida. Serei eu, o karma dessa tristeza.
Pois me ergo através do cinza, pego meus cacos e os junto.
Assim me encontrando no estilhaços, ressignifico as rachaduras, os picados, crio formas e mais formas, vou os colorindo com minha essência.
Transformando assim, o destruir de uma dor em vitrais coloridos.