LA SALLE CELESTE
Eu entendo a sua raiva,
as coisas que eu te disse foram sem pensar,
mas no fundo eu te amava mesmo,
e hoje eu sei que te fiz mal, eu só servi pra atrapalhar.
Era 2022, já faz um tempo que eu não te vejo.
Será que você ainda lembra de mim?
Será que nossa amizade existiria?
Bem, o único jeito de descobrir é se,
por obra do destino, nós dois aparecemos dentro do La Salle,
no meio de uma noite estrelada, celeste, de domingo:
só nós dois.
Me leva pro ginásio, no meio da madrugada,
a escola vazia com nós dois andando por ela:
quase chorei, quando vi a lua iluminando a nossa antiga sala.
Nós dois, apenas nós dois, e as estrelas.
Tua mão na minha, eu voltando a te conhecer,
eu ainda amo esse lugar, eu ainda amo você.
Eu disse que nunca voltaria,
mas olha pra mim:
eu voltei. eu voltei.
Treze de janeiro de 2023,
o dia em que eu disse adeus à essa escola.
Quer dizer, eu sai, mas até hoje
você continua ai.
Me disseram que tudo mudou depois de mim,
me disseram que nos primeiros meses,
nossa sala parecia um velório:
mas eu queria saber o que ainda ficou de mim,
e não o que eu levei comigo.
Eu tenho um problema sério com a nostalgia,
ela me leva pra onde eu não posso voltar.
Certas saudades me levam que à um momento que nem esse:
onde, no meio da madrugada de céu limpo, uma noite estrelada
está apenas eu e você, sozinhos na escola, andando por ela inteira
e matando saudade de um tempo que não volta.
Bem, eu juro que vi as estrelas nos olhando,
eu juro que ouvi as paredes conversando sobre nós:
parece que estamos sendo vistos, como se esse momento fosse um filme.
Então, vamos apenas aproveitar:
Pega na minha mão, vamos correndo pelo pátio,
nós gritamos e nossa voz ecoa pra todo lado.
Nos sentamos em um banco, que dá vista pra todo o pátio
deita no peita, observa os antigos tempos
apenas fiquemos quietos, tentando nos entender,
e entender o que estamos à viver.
Aproveita essa noite, amor, que ela passa,
mata a saudade,
antes que ela vire saudade também.
A gente se beija, você ri de maneira sem jeito,
um pro outro, a gente sorri.
A gente finge não sentir, mas da pra admitir:
até a lua nos iluminando tá começando a sorrir.
Olhamos a lua, o nosso antigo colégio iluminado
pelas luzes da noite: a gente quase chora lembrando
dos bons tempos.
...
bem, eu queria que essa noite não tivesse fim,
mas quando o sol chegar, você vai desaparecer
e eu vou lembrar que eu apenas sonhei com você.
E amanhã, quando eu acordar,
o colégio vai continuar tão longe,
e eu ainda vou continuar a sofrer
a saudade que sofro por não voltar.
Você vai estar vivendo a sua vida,
e eu vou continuar aqui.
Sim, eu voltei, eu voltei:
mas só dentro da minha cabeça.
E se algum dia eu realmente voltar,
talvez eu te mostre tudo que escrevi.