Estou preso a um ciclo,
não sei o que é o amanhã,
nem compreendo o que significa ontem.
Ainda carrego a dor do presente,
nesse ciclo de dor,
de não saber...
Não sei se caminho ou apenas fico parado,
se estou me encontrando ou me perdendo,
se o tempo me cura ou me machuca,
se ainda estou vivendo ou apenas sobrevivendo.
O ontem me chama com vozes distantes,
o amanhã me assombra com rostos incertos,
e o hoje me prende em seus braços sufocantes,
com mil perguntas e nenhum caminho aberto.
Tento encontrar algum sentido
na escuridão que carrego dentro de mim,
mas, quanto mais procuro uma saída,
mais me perco sem saber onde é o fim.
E continuo, sem saber para onde ir,
sem saber o que esquecer ou o que guardar,
preso entre o medo de existir
e a esperança de sumir.
Talvez minha dor não seja o tempo, mesmo
sendo prisioneiro de cada momento.
Até quando estou livre, não consigo deixá-lo.
E se amanhã eu finalmente compreender
aquilo que hoje não consigo explicar,
será que terei aprendido a viver
ou apenas encontrado outra forma de chorar?
Por enquanto, sigo neste ciclo sem nome,
onde até o silêncio parece responder:
há dores que nascem daquilo que se sente,
e outras, de nunca saber o porquê dói.