Killer Queen

A segunda vez

A segunda vez não teve ingenuidade.

Eu já sabia onde pisava.
Já conhecia o ritmo do seu silêncio.
Já tinha sentido o vazio antes.

Mas mesmo assim, doeu maior.

Porque dessa vez eu não podia fingir que não sabia.
Não podia culpar a falta de clareza.
Não podia chamar de dúvida.

Eu tinha voltado consciente.

E perceber que nada tinha mudado foi como assistir à repetição de uma cena que eu já conhecia —
sabendo exatamente onde iria doer.

Doía mais porque agora não era só sobre você.
Era sobre eu ter ignorado o que senti na primeira vez.

Doía mais porque eu percebi que amor nenhum sustenta aquilo que não é recíproco.

Doía mais porque eu finalmente entendi
que insistir também é uma forma de se machucar.

E quando a dor ficou maior que a esperança,
eu soube.

Não era mais saudade.
Não era mais medo de perder.

Era respeito por mim.