Queiroz Francisco

Retrovisor em cacos

Manhã lenta, pessoas desatentas,
rotina levemente atrasada.
É de se pensar nos feitos e não feitos.
A mente saltita apressada
com foco de quase flash,
se retrata embaçada.
 
Em cena: a cabeça escorada na janela do ônibus.
Manhã de chuva manhosa,
marcha reduzida por sinais.
Visão distorcida dos passeios,
as cores se invadem em um borrão de anseios.
 
Entre uma brusca parada
e o estardalhaço das buzinas,
um pequeno despertar.

Mas para quê?

Para um atraso na rotina,
para o esquecimento do desembarque,
para outros rumos evitados, adiados.
 
A vida presa em tardes e pesares.
Tempos em que não se aceita presente,
por ter mente de retrovisor em cacos.
 
Nos encontramos em partes,
sempre em vias de não querer partir,
mas querer chegar sem saber onde.
Rumo a um ponto final
que pode ser na próxima esquina.