Pietro Guilherme Piazera

Perdi VocĂȘ

Ontem quando fui falar com você,

Você nem sequer olhou pra mim.

Passou reto, como se eu fosse um estranho,

Como se nossa amizade tivesse realmente chegado ao fim.

 

E eu não sei se você percebeu

O quanto aquele instante me machucou.

Meu peito acelerou, a ansiedade me tomou,

E, por dentro, algo em mim desmoronou.

 

Tive que ir embora mais cedo,

Pois já não conseguia disfarçar.

Era difícil olhar pra você

Sem sentir meus olhos quererem chorar.

 

E o mais triste é que, talvez

Pra você, não tenha sido nada demais.

Mas pra mim, foi como perder de repente

Alguém que eu não queria perder jamais.

 

Porque você não era só alguém que eu conhecia,

Era alguém que fazia parte dos meus dias.

Das conversas sem sentido, das risadas bobas,

Das brincadeiras e das pequenas alegrias.

 

Era sua presença nos momentos simples,

As coisas que só nós sabíamos entender.

Eram detalhes que pareciam tão pequenos,

Mas que hoje fazem tanta falta sem você.

 

E sim, eu gostei de você,

Talvez de um jeito que não consegui explicar.

Mas, acima de qualquer sentimento,

Eu gostava de ter você por perto, de poder conversar;

 

Eu gostava da nossa amizade,

Do espaço que tinha na minha vida,

Da liberdade de brincar com você,

E de encontrar com você uma companhia.

 

E é isso que mais dói nisso tudo,

Não é apenas o sentimento que preciso guarda,

É perder uma amizade que significava tanto,

Sem nem saber como tudo isso foi parar nesse lugar.

 

Eu queria que as coisas fossem diferentes,

Que a gente ainda pudesse rir como antes,

Que os dias no Senai não tivessem se torndo tão estranhos,

E que não fôssemos dois desconhecidos distantes.

 

Mas não posso você a ficar,

Nem pedir que volte a me enxergar,

Como alguém que um dia foi importante,

Alguém com que você gostava de dialogar.

 

Talvez eu nunca saiba oque mudou,

Em que momento a gente começou a se perder.

Só sei que ainda lembro de como era antes,

E que dói perceber que não é mais como costumava ser.

 

Hoje, olhando pra tudo o que vivemos,

Entendi algo que eu não queria aceitar:

Às vezes, uma amizade também chega ao fim.

 

Queria mais conversas, mais risadas, mais histórias,

Mais daqueles momentos sem importância

Que, sem perceber, se tornaram parte da minha memória.

 

Mas parece que a vida escolheu outro caminho,

E eu preciso aprender a seguir também.

Mesmo levando comigo a saudade,

De alguém que já me fez tão bem.

 

Eu não queria perder essa amizade.

Não queria que o nosso vínculo virasse lembrança,

Nem que a pessoa com quem eu dividia tantas coisas,

Se tornasse alguém que já não me dirige uma única palavra.

 

E talvez você nunca entenda

Por que aquele instante me fez tanto mal.

Talvez nunca saiba o porque precisei ir embora

Porque fingir que estava tudo bem, foi difícil demais.

 

Hoje, eu tive certeza de que você

Talvez não faça mais parte dos meus dias.

E aceitar isso é doloroso,

Porque eu ainda queria compartilhar tantas coisas com você.

 

Não guardo apenas o sentimento que tive,

Guardo a amizade que eu tanto quis preservar.

Guardo as risadas, as brincadeiras,

E a vontade de ter tido mais tempo pra aproveitar.

 

Eu Perdi Você

 

Não como quem perde um grande amor,

Mas como quem vê uma amizade se apagar,

E não consegue fazer nada além de sentir a dor.

 

Perdi a pessoa com quem eu queria continuar contando,

 presença que eu não imaginava deixar para trás.

E, mesmo que eu tenha gostado de você,

preciso aceitar que talvez não sejamos mais nós dois como antes.

 

Porque algumas despedidas não acontecem com palavras,

Nem precisam de um último abraço ou explicação.

Às vezes, elas acontecem num simples olhar negado,

Num silêncio inesperado, numa passagem sem atenção.

 

E ontem, quando você passou por mim como se eu não existisse,

Uma parte de mim finalmente compreendeu que,

Talvez eu não tenha deixado de considerar você,

Mas talvez, há um tempo, você já tenha deixado de me considerar.

 

Pietro G. Piazera

Joinville-SC