joaquim cesario de mello

HOJE NÃO

 

Hoje não

Hoje não irei morrer

Amanhã, talvez

 

Hoje não

hoje não verei em minhas exéquias

os meus tantos ausentes

e nem me encontrarei

com meus pais e minhas nuvens

no Shangrilá infinito das infâncias

 

Hoje não

Hoje não vão desaparecer

as paisagens por onde passo

e as calçadas ainda irão sentir meus passos

no caminhar diário de sempre

rumo ao amanhã incerto que é certo

que ao final de hoje chegarei

 

Hoje não

Hoje continuarei na imortalidade do tempo

que para mim nasceu no dia em que nasci

e a vida nunca me foi tão vigente

como o atual do agora que hoje me contem

 

No dialeto torto das horas

vou furtando dos minutos versos

para terminar um poema que hoje não findarei

amanhã, quem sabe

talvez...