Hoje não
Hoje não irei morrer
Amanhã, talvez
Hoje não
hoje não verei em minhas exéquias
os meus tantos ausentes
e nem me encontrarei
com meus pais e minhas nuvens
no Shangrilá infinito das infâncias
Hoje não
Hoje não vão desaparecer
as paisagens por onde passo
e as calçadas ainda irão sentir meus passos
no caminhar diário de sempre
rumo ao amanhã incerto que é certo
que ao final de hoje chegarei
Hoje não
Hoje continuarei na imortalidade do tempo
que para mim nasceu no dia em que nasci
e a vida nunca me foi tão vigente
como o atual do agora que hoje me contem
No dialeto torto das horas
vou furtando dos minutos versos
para terminar um poema que hoje não findarei
amanhã, quem sabe
talvez...