Teu vulto cruza a casa e ainda me ronda.
No escuro, cada tábua devolve sinais.
Minha razão, tão sóbria, perde a onda,
meu corpo, que te expulsa, pede mais.
Não te perdoo. Beijo a cicatriz
que a tua ausência abriu sem me tocar.
Há um incêndio ajoelhado na raiz
de tudo o que não ouso confessar.
Se voltas, não prometo paz nem abrigo.
Terás meu peito em febre, em contramão.
Ainda te desejo e me contradigo.
A boca diz adeus, a pele não.