werner

Cartas Fechadas

Por vezes, escrevo seu nome lentamente
Na margem azul das cartas;
Fecho-as até a distância lhes caber,
E o vento leva as cartas a você.

Não sei por onde elas caem;
Se navegam junto às suas mãos,
Ou fluem entre os juncos da outra margem
Onde as ondas desmancham meus rastros.

Por vezes, depois da ventania,
Remanesce um envelope neste quintal
De idêntica mesma dobra de minhas cartas;
E não arrisco-me a abrir antes do próximo vendaval.

Então torno a escrever seu nome
Na margem azul das cartas;
E o vento, ignorante em seus rumos,
Leva as cartas a você.