Queria ter o dom de encantar,
o dom de transformar sentimentos
em versos bonitos,
daqueles que encontram palavras
onde eu só encontro confusão.
Queria saber descrever
o que aperta,
o que angustia,
o que assusta,
o que às vezes nem sei nomear.
Meus poemas são confusos.
Talvez vocês não consigam entendê-los,
mas eu tenho certeza
de que, em algum lugar entre as palavras,
eles falam de mim
e talvez falem de você também.
Não adianta esconder sentimentos tristes.
Eles existem.
Mas meus poemas não foram feitos
para deixar ninguém mais triste.
Talvez sejam apenas um caminho,
uma pequena luz acesa
no meio daquilo que não sei explicar.
Um jeito de tirar da cabeça
a angústia,
o desespero,
os medos,
os “e se...”,
os pensamentos que chegam
sem pedir licença.
Na verdade,
eu queria mesmo era ter o dom
de desfazer meus sentimentos confusos,
separá-los,
colocá-los em seus devidos lugares
e entender exatamente
o que cada um veio fazer em mim.
Mas meus poemas não têm linha traçada.
Não pertencem a um único tema.
Não seguem caminho certo.
São uma mistura.
De confusão com calma.
De medo com coragem.
De tristeza com pequenas felicidades.
De silêncio com vontade de falar.
De pensamentos que nem eu sei explicar
e algumas palavras jogadas
que talvez nem façam sentido.
E tudo bem.
Talvez esse seja o meu jeito.
Eu não sou uma pessoa triste.
Tenho muito pelo que agradecer.
Tenho momentos bons,
dou risada,
me encanto com pequenas coisas,
e encontro felicidade onde posso.
Mas também sou humana.
E ser humana é ter dias
em que a mente pesa um pouco mais.
Não sei se devo chamar isso de fraqueza.
Talvez sejam apenas sentimentos
que precisam existir
antes de passar.
Eu gosto dessa mistura estranha
que ninguém entende direito.
Porque, enquanto vocês tentam descobrir
o que exatamente estão lendo,
eu estou descobrindo
o que estou sentindo.
E talvez escrever seja isso:
não encontrar respostas,
mas esvaziar a mente.
Não organizar tudo,
mas deixar sair.
Não escrever para ficar triste,
mas escrever para conseguir respirar.
Eu ainda queria ter o dom.
O dom de encontrar as palavras perfeitas.
Mas talvez,
sem perceber,
eu já tenha encontrado o meu:
transformar a confusão
em algumas linhas
e, no meio delas,
encontrar um pouco de paz.