O que houve com os motivos que me faziam sonhar?
Onde se escondeu o sentido de tudo ao meu redor?
Por que a graça de viver se dissipou no ar,
Deixando apenas o rastro do meu próprio pó?
Apenas sigo, sem rumo, sem direção,
Um passo após o outro, sem saber por quê.
Sem sentir o peso, sem erguer a voz em reclamação,
Sem ao menos questionar o que deixei de ser.
Anestesiado no fundo desse próprio Peito,
Onde os sentimentos não conseguem mais tocar.
Insensível ao tempo, indiferente ao efeito,
Paralisado no espaço, sem ter para onde voltar.
Às vezes, a tristeza é um abismo tão profundo
Que fecho os olhos e me recuso a pensar,
Com medo de medir o limite do meu mundo
E descobrir até onde ainda consigo suportar.
Se ao menos uma lágrima me viesse como alívio,
A água lavaria a poeira desta dor.
Mas até o choro me nega o seu abrigo,
E nem sei mais por qual motivo clamar por socorro.