Joelhos desajuizados
Novos pacotes de tempos fornecidos,
Mas sinto a necessidade da energia perdida.
Joelhos enfraquecidos
Nas fatalidades da vida :
Joelhos sem potência para apoiar as passadas rápidas do calçadão para o mar.
As corridinhas básicas para alcançar o trem,
No horário programado para seguir viagem
Joelhos agredidos pela dor
Fatídico cimento enfurecido
Da quadra esquecida
Chuteiras negras da maldade
Mas estou tentando me lapidar aos novos tempos !
Aos adversários
Até neném,
Diz periodicamente amém...
As coisas engraçadas da vida
Agarrados ao colar de diamantes
De sua mãe protetora!
Tempo bom, de quem conseguiu esquadrinhar toda bondade
Nas barracas de pastel da feira de sábado
O olhar primitivo, enfim, se modernizou.
Com as visões atuais em uma triste realidade,
Refinam-se, aos fast foods atuais, pastéis com produções astronômicas
Para atender aos pedidos dos cansados e entregues no horário quase exato.
Tempos atuais, que vêm e convidam:
Venham se deprimir mais...
A saudade é sempre primeira :
Nos gibis coloridos ,
Nas chuvas tão claras
Nos davam tamanha alegria ,
O calçadão ainda aponta para o mar,
Mas o corpo pede calma para chegar.
O trem, com seu horário britânico e exato,
Não entende que o cimento é um carrasco ingrato.
Ficou na quadra a marca da chuteira preta,
O drible que o tempo riscou da caderneta.
\"Vem, deprima-se, deprima mais\", cochicha a modernidade,
Embrulhada em fast food e pressa na cidade.
Mas quem tem o colar de diamantes da mãe na lembrança,
Guarda no peito o escudo eterno da infância.
Nas barracas da feira de sábado, o mundo era puro,
Não havia essa névoa que hoje esconde o futuro.
A chuva lavava a calçada e a alma da gente,
E o gibi colorido era o sol do presente.
Os joelhos vacilam, desajuizados na estrada,
Mas a mente ainda corre, livre e alada.
Se o corpo hoje clama pelo seu próprio amém,
A poesia responde que a saudade vai além.