Passo em falso
Este mesmo
Que se impõe
Que nos mantém
Que nos promove
E apenas promove
Afastamento
Qual intento me dá
Teu olhar, tuas nodas
Teu semblante, teu busto
Me convida, avidamente
Ligeiramente obtuso
Nas nossas vésperas
Breves
Em posse da mesma ideia
Todos os dias, pergunta
Por que teus olhos não reviram?
E os suspiros são forçados
Fingidos, ensaiados?
Tu bem sabes, o desejo
Não se negocia
E eu não ligo
Que seja ele, que não seja eu
Que seja ela, que não sejas tu
Em minha mente, eu te tenho
Como quero, quando eu quero
Da maneira mais vã
E vulgar
Sobre mim, dentro de ti
Embaraçados, esvaídos
Encharcados, embaçados
Esmaecidos, esmerilhados
Suas ancas, seu encosto
Em teus seios, do meu gosto
Meu querer, insaciável
De tua saliva, ser tua seiva
E te correr, provar
Lasciva, profunda
Apertada, túrgida
Em teu âmago, supernova
Penetro-te, faço-te
Mulher
Todo o tempo gasto
O que foi perdido
Não se compara
Não é nada
Nunca foi
Basta uma vez
Ser-lhe o cinzel
Engastando-lhe de amor
Tanto amor
Todo o amor
Que te escorra
Como mel, com orvalho
Pingando, declarando
Uma nova manhã
Nunca cansados
Sempre ousados
Céticos, profetas
De um novo orgasmo
Que não se acumula
Que nos foge
Como mercúrio
Beije-me agora
E esqueça
Tangendo embora
A latência, a ausência
E nossa vida, e o abismo
Que espera, sereno
Por nossa queda