A vidraça de Alice
Vamos lá, Alice.
Vamos lá, Alice.
Saia de teu país de conforto,
tua vida está passando
e tu estás ficando e te confortando.
Vamos lá, Alice.
Vamos lá, Alice.
Porque não consegues
cumprir nada do que dizes?
Por lá promessas,
Por cá incertezas.
Vamos lá, Alice.
Vamos lá, Alice.
Você é tão pobre, tão supérflua
quanto a imagem dos fariseus
que te proferem asneiras.
Vamos lá, Alice.
Vamos lá, Alice.
Posso te gritar,
mas não estás a escutar.
O que há?
Vamos lá, já não posso mais negar.
A quem quero enganar?
É de mim que estou a falar.
Olho para o nome e vejo
o reflexo do meu medo.
Alice, Alic, Ali, Al, A, C, Ce, Cel, Celi, Celia.
Era eu, sempre fui eu.
O nome era o meu,
o temor era meu,
mas continuava a me cegar.
Vamos lá, Celia.
Vamos lá, Celia.
Não era de Alice que estavas a falar.