Eu paro para refletir...
Como é se sentir acolhido...
É o colo, o carinho?
É experimentar uma sensação profunda de segurança, aceitação e pertencimento,
sabendo que você é ouvida e valorizada sem julgamentos?
O que verdadeiramente é a acolhida...
O que faz um coração encontrar outro coração
e sentir, enfim, proteção?
Caro leitor, eu paro e penso...
Como é difícil, hoje em dia, você conseguir se abrir para alguém...
Ou você saber verdadeiramente acolher alguém...
Mas o que seria o acolhimento?
Acolhimento é o ato e o efeito de receber, abrigar e dar hospitalidade a alguém.
Na psicologia, é a postura de criar um espaço seguro para que o outro possa expressar suas fragilidades, medos e emoções sem o risco de ser julgado ou rejeitado...
Para a assistência social, são os serviços que oferecem proteção integral para pessoas em situação de vulnerabilidade social ou risco, como crianças afastadas da família, mulheres vítimas de violência ou pessoas em situação de rua.
E você já parou para pensar o quanto o ser humano é orgulhoso...
Que muitas das vezes prefere sofrer sozinho a pedir ajuda?
Ou é tão frio que não tem empatia a ponto de ver uma criança passando fome ou sem roupas e não estender sua mão para ajudar?
E o que a maioria das pessoas fazem?
Humilham, agridem, julgam pela vestimenta...
Não sei se por medo, devido à violência...
Ou apenas por não saber se colocar no lugar do outro...
A vida é tão corrida
que muitas coisas passam despercebidas no nosso dia a dia...
Muitas pessoas que não estão bem acabam sendo engolidas pelo seu próprio mundo,
presas em suas dores, em seus medos e pensamentos,
e passam despercebidas aos olhos de quem está ao redor...
E talvez seja justamente aí que falte empatia...
A capacidade de olhar além daquilo que os olhos conseguem enxergar,
de perceber que, por trás de um silêncio, pode existir alguém pedindo socorro sem falar.
Porque a exclusão também é uma forma de agredir alguém que já está machucado...
É deixar de fora quem talvez só precisasse sentir
que ainda existe um lugar onde pode pertencer.
Mas você já parou para pensar se você já negou acolhimento a alguém que precisava?
Ou você pode ter vestido uma armadura...
e, mesmo precisando de ajuda, fingido que estava tudo bem...
Que você, sozinho, dava conta?
Eu acho mesmo que temos que ter amor próprio,
não depender de ninguém para ser feliz...
Mas coloco um parêntese no meio...
Todo ser humano precisa de afeto...
Somos movidos por ele...
Pelo carinho, pelo companheirismo, pelo amor...
Claro que o amor próprio conta...
Mas você não acha que se sentir amada, cuidada, respeitada...
É algo muito bom?
É claro que temos defeitos e qualidades...
Mas é tão lindo essa construção de um para o outro ...
Eu passei por tantas coisas...
Eu sei que tem feridas que demoram a cicatrizar...
Abandonos que nos fazem chorar...
O luto, que nos faz lembrar e refletir...
Mas você já parou para pensar em tudo o que você já passou?
Veja só a mulher que você se tornou...
Tudo foi aprendizado, tudo fez você voltar mais forte...
E digo: você se levantou sempre sozinha...
Claro que isso não te torna melhor que ninguém...
Mas te mostra que nem todo mundo é bom...
Que nem todo afeto é carinho, às vezes é maldade e desejo...
Que nem todo mundo é verdadeiro...
Que as pessoas vestem uma armadura diariamente
e que é difícil você ter acesso a um coração
se o mesmo não quer se deixar acessar...
E talvez uma das coisas mais dolorosas seja quando alguém usa o outro...
Usa seu carinho, sua atenção, sua disponibilidade,
se aproveita dos seus sentimentos e da sua vontade de estar presente...
Como se o outro fosse apenas uma distração,
um passatempo ou uma necessidade momentânea...
Usar alguém é, para mim, uma das coisas mais nojentas que alguém pode fazer...
Porque ninguém deveria ser tratado como objeto,
como algo que pode ser descartado depois de ter servido para alguma coisa.
Por trás de cada pessoa existe uma história,
existem sentimentos, medos, marcas e cicatrizes...
E quando você entra na vida de alguém,
você passa a ter responsabilidade sobre aquilo que desperta...
Por isso, seja honesto...
Se você não quer ficar, não fique.
Se não sente, não finja.
Se sua intenção é apenas momentânea, diga...
Não brinque com o coração de alguém
só porque ele teve a coragem de confiar em você.
Porque, às vezes, quem chega apenas para passar
deixa feridas que levam muito tempo para cicatrizar.
Você se tornou alguém que tem esperança,
mas também tem medo...
Você aprendeu que a confiança é algo que se conquista aos poucos,
no dia a dia...
Com atitudes e palavras...
Aprendeu que as pessoas não são descartáveis
e que todos têm um coração com suas marcas e cicatrizes,
e com medos velados que não contam para ninguém...
Mas somos seres humanos...
Erramos, caímos, aprendemos com nossos erros
e, muitas vezes, só conseguimos compreender algumas coisas depois de vivê-las...
E mesmo com todos os nossos erros,
todos nós merecemos ser amados...
Merecemos ser respeitados, acolhidos e cuidados...
Merecemos nos sentir vivos...
Porque a vida não precisa ser tão pesada o tempo todo...
A vida também tem que ser leve...
Com boas conversas, boas companhias,
brincadeiras que arrancam risadas
e momentos sérios que nos fazem refletir...
Precisamos de pessoas com quem possamos rir de coisas bobas,
mas também conversar sobre aquilo que realmente importa...
Pessoas com quem possamos dividir um silêncio,
um abraço, um café, uma caminhada
ou simplesmente um momento qualquer do dia...
A distância também pode ser um obstáculo...
Mas nem todo obstáculo precisa ser uma despedida.
Quando existe constância, cuidado e vontade,
até mesmo a distância pode ser superada...
E talvez a saudade também faça bem para todo tipo de relação...
Porque sentir falta é lembrar que alguém ocupa um espaço dentro de nós...
E quando finalmente acontece o encontro,
ou até mesmo os reencontros,
ficamos com aquele coração quentinho,
com a sensação boa de matar a saudade
e perceber o quanto aquele momento fazia falta...
Talvez seja isso que torne a vida tão bonita...
Ter com quem compartilhar os pequenos momentos,
sem precisar fingir ser outra pessoa para ser aceito...
Mas o mais importante...
Você aprendeu que existem, sim, pessoas boas...
Que existem conexões verdadeiras...
E que, mesmo com os obstáculos da vida...
Sempre há uma luz no final do túnel...
Que cativar e se deixar ser cativado é uma dádiva hoje em dia,
pois a maioria das relações são superficiais...
E, sinceramente, eu não quero isso para mim...
Pois já sofri mesmo criando vínculos,
e quem dirá ter algo superficial...
Acho que todo mundo precisa de honestidade, parceria, respeito, carinho e lealdade...
Se não, não vale de nada um relacionamento...
Seja ele no amor, na amizade ou na própria família...
Então, o cuidado, o acolhimento...
A segurança...
Isso tudo faz sentido...
Isso vai além da superficialidade...
Se você não está alinhado com a expectativa do outro, nem se envolva...
Seja honesto com você e com a pessoa que está depositando todo o seu tempo e carinho em você...
Seja empático, acolha,
pois muitas vidas passam por nós
e um ato de bondade pode salvar a vida de alguém.
Porque, no fim, acolher é mais do que receber...
É enxergar o outro, mesmo quando ele tenta se esconder.
É oferecer um pouco de luz quando tudo parece escurecer...
É entender que todos carregam suas próprias batalhas
e que ninguém precisa atravessá-las sozinho.
E talvez seja justamente isso que o mundo mais precise:
de alguém que saiba acolher,
de alguém que saiba permanecer,
de alguém que saiba ser leve, verdadeiro e presente
antes que seja tarde demais.